28.7.08
25.7.08
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23.7.08
É ténue, muito ténue, a linha entre a suave desvanescência num lanço acima do ruído que escolhes deixar para trás de ti e, a sensação de perda do controlo da realidade absoluta _ sim, como perder o pé, se te aventuras mar adentro sem controlo das areias que, matreiras, vão escorregando por aí fora. A única diferença é que não há sobressalto, nem ressalto repentino e espontâneo a trazer-te de novo à tona das tuas medidas. Não: tu resvalas mansamente no pensamento da paz, exactamente como acontece com o de terror, e que continuas a ver como de longe, e como não acreditando que é a ti que acontece.
21.7.08
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E já não falo daqueles ses que ficaram para trás! Não, esses só existem para algumas pessoas, dadas a essa ficção, sem se darem conta de que transtornam assim a sua vida. Eu nessa já não caio. “Ses” de passados são mais perigosos do que sal na comida!
Falo dos ses que se atravessam, cruzando o presente, assim: entre este passo e o próximo…
Esse é um dos motivos já identificados dos meus atrasos…”no caminho”, ou nas pequenas etapas que se prenunciam
Há um outro tipo de atrasos em que, de certo modo, também já me sinto “especializada”: a criação _ não deveria ser mais abertamente franca e chamar-lhe mesmo cultura? _ de alibis. Esses, então, regra geral acontecem junto a encruzilhadas…e não, nem bruxedos são para aqui chamados, nem me valeriam. O certo é que por vezes lá acabo por “montar acampamento”, não sei se para reunir coragens, se para dobrar escolhos ou tão apenas tentar desdobrar-me nas escolhas…E às tantas por lá fico, esquecida no tempo, mais do que do tempo. E é então, comprovadamente, que o tempo toma conta de mim.
O que dizer, mais? Mea culpa, mea culpa…
Será que vou ainda a tempo de emendar-me??
20.7.08
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Ou vou poder pensar em mim, ínfima egoísta? E se sim, se consigo ultrapassar e engolir esse nozito de escrúpulos atravessado na garganta, como vou atrever-me a configurar o resto do meu ... futuro?
Vou ter que prever scripts, cenários e figurantes ou, em outra perspectiva, formatos e layouts, para saber exactamente como os quero rematar, abrilhantar, com os meus desejos?...
Ah, descobri! E foi bom ter vindo, a depositar-me por estes aquis, ainda que esparramando-me um pouco mais do que é bonito; mas, adiante, consegui reduzir esta agoniante irresolução a apenas uma dúvida de resolução parassemântica: deverei pedir que os meus desejos se aproximem das minhas necessidades…ou que as minhas necessidades se aproximem dos meus desejos?
Quando tiver decidido, virei depor o meu alívio acerca dessa questão, para então se ver se terei que preocupar-me em ter, sequer, desejos a formular…
E agora, uma pausa para ... sonhar, não!, por favor.
19.7.08
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Novamente dou por mim a tergiversar; no que me diz respeito, bem cá dentro, tem sido muito assim, montes de vezes. Certamente o equilíbrio à prefiguração que já ouvi terem de mim _do lado de fora.
E a matéria é o sonho. Não de que material se faz, nem sequer se tem sexo, como os anjos (eu até acho que alguns podiam ter, se se quiser…).
“O sonho comanda a vida” tornou-se um lugar-comum na boca de bastantes pessoas; mas o que deve fazer quem não sabe o que sonhar, tal o peso da responsabilidade no conceito que tomou conta de si: o mundo será como o sonhares…
Pois a verdade é que há sonhos, e sonhos…e sonhos! E ainda o medo de desejar…
”Beware of what you wish for…” não é algo de desdenhar…como adágio soa a algo mais efectivamente ameaçador do que temáticas de scarymovies. E depois há aquela malfadada perseguição do complexo de culpa que se enfiou na cabeça dos condicionados dentro das doutrinas judaico-cristãs…
Mas valha-nos o “complexo de disneymania”, a vozinha que sussurra em melodia de filmes antigos “when you wish upon a star…”. E então, voltando ao início desta serpente que se autoengole: vou desejar…o quê??
Será que vou conseguir pegar no sono, com esta pendência? Bem, não é nova…vai acontecer exactamente o mesmo que das outras vezes…
18.7.08
É surpreendente como uma frase simples pode criar um cenário psicológico condizente, ou antes, conducente a uma sensação de serenidade.
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É uma velha frase, de velhos livros, estudados por antigos se não velhos estudiosos _ e isto porque, supostamente, mas afirmam eles, tem a ver com a presença divina, ou antes, uma das suas possíveis manifestações...entre o mundo físico, ou material _ ou o mundo dos homens...
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Não vou debater sobre as formas da presença de deus/Deus/deusa/deuses neste instante; a presença divina pode, tanto quanto sei, até ser o bater do coração sobre, ao lado, ou através do outro coração _ não sei é explicar bem. Por isso não vou também debater-me quanto a encontrar explicações precisas para a localização de tal "lugar".
Sei é que a serenidade da presença divina ocorre e é manifesta quando o espírito desce sobre o coração _ e não preciso de saber qual deles é. Eu sei, e é manifesto esse saber que não admite dúvida, logo, anti-saber.
E também sei que, não sendo uma deliberada construtora, tenho arranjado maneira de configurar a escalada da minha vida em redor do oceano, das águas que amaciam os meus dias, mesmo entre a brusquidão de tempestades ou ventanias, que me ferem os ouvidos ou me deixam sem respiração...
E quando o espírito desce sobre as águas e o espírito desce sobre o coração tudo fica bem, e se eu conseguir acreditar forte forte e lembrar-me de não esquecer, a perder-me no bem-estar próprio mais do que a conta _ o mundo ficará melhor, pois o meu mundo é o mundo de todos...e como eu o faço e vivo, assim o sonho para ser...
17.7.08
Numa vaga súbita_ sétima onda, certamente_, mãe da respiração ondulada e, por tradição, assim sincopada que regula os circuitos de vida líquida neste nosso planeta.
Os pensamentos que chegaram, esses, não são, não os quero de cá. Nem os que desabrocham como a flora em clima equatorial, nem sequer os que se multiplicam como alguns exemplares de fauna selvagem. E muito menos o são aqueles a que me refiro neste momento: os pensamentos-parasita, aqueles que surgem de rompante, lançam ventosas ou esporões, parecendo geneticamente apetrechados para “pegar e não largar”.
Aconteceu tal, certamente, por me encontrar distraída, demasiado envolvida nos ruídos a que tenho que atender, triar, processar, antes de ter a oportunidade de me refugiar na “ilha anti-assimilação”, onde me acolho, sobretudo, a refazer-me, a ser o não-resto.
Claro que com mais tempo de recolhimento, de desatenção consciente enquanto me dedico ao não-querer ou ter-que ocupar, o efeito-lótus é mais eficaz.
Eu andarei mesmo a perder eficiência? Isso não é tão grave quanto perder a eficácia…
Em assombroso repúdio das tais tradições, àquela onda seguiram-se outras, em crescendo de grandeza tal que, ao estirarem-se, adquiriram progressivamente a transparência total, e daí à diluição_ mais: ao desvanescimento _ foi um ápice.
Tudo está bem.
Nada de incómodo se prende na superfície lisa e brilhante da mente; nada se cola, sequer, na polidez mate que, a pouco e pouco, se ilumina em leve fosforescência.
As pálpebras pedem já para baixarem, cortinado preferencial à emergência da luz suave…
16.7.08
15.7.08
14.7.08
13.7.08
12.7.08
11.7.08
A noite é o jardim das estrelas; elas são as flores nocturnas, imensas no aroma de liberdade e... aconchego na cumplicidade. São o símbolo da notoriedade...mas na realidade são a lição da humildade mais inequívoca: elas estão por aí de noite como de dia; não se vestem para o jantar, ou para uma saída nocturna; elas são os luzeiros que ninguém vê durante o tempo todo que aquela arrogante anã-vermelha gigante se deixa expôr a nossos olhos... mesmo quando disfarça a sua aparência com umas nuvenzitas_ ou nevoeiros mais ou menos cerrados, como tem andado a fazer ultimamente.
E esperam, sempre esperaram, como esperarão mesmo quando não dermos conta...não querendo saber de figuras ou limites como os homens, pobres criaturas desamparadas se não conseguem dar forma às suas prefigurações, nem que seja espelhando no céu a sua aversão a espaços livres_ eles tinham mesmo que querer pôr ordem no caos que é o seu mundo, e pensaram consegui-lo cativando as estrelas, livres e longínquas, nos cercados que lhes criaram em redor, chamando-lhes_ a elas!_ constelações!
Mas hoje as estrelas foram luzeiros que abrilhantaram, pisca-que-pisca, o dia: inesperadamente irradiaram, por aqui e por ali _ por entre afazeres comezinhos e andanças por humildes e por demais conhecidos trajectos _ sorrisos, encontros, efeitos e afectos deram-se mãos, olhos, abraços, lágrimas até!...
A velha magia acordou e novamente fez das suas.Lançou dados de imprevisíveis números nas contas certas_ e nem sempre favoráveis_ dos monótonos balancetes que são a prosa dos dias...para quem respira fundo apenas nas reticências da poesia livre de alinhamentos...
E a lua sorriu cúmplice, pois não foi ela quem me chamou desta vez; apenas ficou sossegadamente olhando de esguelha, crescida o suficiente para não temer sombra...nem luz.
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