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Saudades…
Saudades, sim. Deste, daquele, daquela, daquilo, de então…ah, mas sobretudo, de m.i.m! Ou melhor: de mim então!
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E é isso que na realidade leva (quase) toda a gente a confundir-se e atolar-se num chamado e supostamente doce sentimento de nostalgia, de perda, que não é mais do que uma hedonista e egoísta sensação, quase tão vã e perniciosa, na sua ignorância e inconsciência, como a inveja, aquele monstrinho verde que morde as entranhas de quem não quer admitir-se presa de uma forte admiração por outrém…no seu negativo.( E Deus me livre de ser assim “admirada”! ) . Mas não vamos por aí, que é longo e perdido esse atalho.
E então vou tentar explicar um pouco melhor, talvez mais caridosamente, o ponto de vista que aqui defendo. E porquê? Simples: porque sofro quando vejo sofrimento que considero desnecessário _ na maior parte dos casos, claro _ na forma de lidar com o "passado".
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É certo também que reconheço ser um acto de rebeldia a minha rejeição do uso comum dessa palavra tão acarinhada como símbolo emblemático da “nossa” cultura. Eu também concordo que é bonita: ondula emoções esquivas pela sibilante adiante, presta-se a ser saboreada…E eu digo isto porque gosto de poesia e, precisamente, saboreio os aspectos físicos e musicais que algumas palavras se prestam, plasticamente, a arvorar. Mas causa-me uma certa impaciência o tom auto-mortificante com que as pessoas se agarram, pior, se colam a factos passados, incluindo, nesses flashes de inexistências intransigentes, a presença de outros, quando se deviam concentrar na própria consciência das sensações que esses instantâneos _ por vezes autênticas reconstruções de verdades que vão mudando de perspectiva consoante as luzes de enfoque..._ lhes provocam.
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Assim, alguns ajoujam-se sob o fardo de autênticos "cadáveres" de memórias a que se agrilhoam e que lhes tolhem o passo em direcção à vida, e que nem sequer são, geralmente, as memórias queridas que gostariam de ver permanecer... mas que não deixam ficar...
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E então há os que simplesmente recusam a si próprios e às então queridas memórias a oportunidade de terem um futuro, fazendo-as "presente"! E esquecem-se de olhar em frente, sempre virados para "trás", mergulhados em sombra _ por culpa das tais "saudades"...
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Na realidade, o que sentem é a falta de como se sentiam … ou os faziam sentirem-se, em determinada altura da sua vida. Simplesmente isso. E sofrem, com o que dão por final, se não finado.
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Mas a memória é isso: algo que permanece… uma verdadeira prenda , sempre à disposição de ser recriada... E poderiam então verificar que o que davam como passado e acabado, se encontra nesse i.n.s.t.a.n.t.e com elas, na sua p.r.e.s.e.n.ç.a, e talvez acordassem para o significado real que as palavras teimam _ às vezes sem resultado, e sem culpa própria _ transportar, se nelas atentarmos verdadeiramente, se usarmos a própria reflexão, abdicando um pouco mais do seu uso leviano e de frases feitas, que acabam por entregar vazios, perdendo-se nestas trocas entre bocas e corações e mentes, sem serem pontes de s.e.n.t.i.d.o.s entre as pessoas…
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