2.8.09

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Deixei-me diluir no mar sem nomes; fiz-me esquecida de palavras que pintassem dias de aguarelas por demais desmaiadas.
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Dissolvi as emoções perante os silêncios sem resolução que não as souberam enfrentar...
Despedira o mar, despedira-me do centro da palavra, alma do sentido da realidade sonhada
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Reneguei o sonho na despedida da inocência da ilusão permitida.
Recusei a palavra sentindo-me rejeitada pela graça da entrega ao nome.
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Entreguei-me à recusa de mim em outro... eu recusara a ilusão de outro, dar-lhe assim vida.
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A palavra não veio e não a chamei; aguardei ainda que me gritasse no centro do corpo, que me garantisse que o sonho continuava a prender-nos ao papel dos dias iluminados pelo despertar na luz dos olhos fechados.
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A inverdade submergiu tudo. A realidade não é transparente, a sua opacidade reafirma a verdade do sonho.
Vou-me sonhar sonhada.
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(30/08/07)"

3.5.09

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A minha prece tece-se de fios de luar e de enredos de água pura, rios que brotam da nascente que só conhece a sede de pássaros azuis.
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A minha prece tece-se do orvalho das pétalas de dor entrançadas nos sorrisos que contornam canteiros e ninhos nos jardins do paraíso.
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A minha prece aninha-se na quietude morna de um regaço de ternura e doces mãos, vozes mansas a ensinar amor.
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A minha prece prende-se nas lâminas dos contos com música, uma fonte de lábios de voz pausada a cantá-los ao revés; a vida fluía assim, um anjo de mármore a velava.
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A minha prece tece-se dos voos brancos na descoberta de caminhos e dos portais que se abrem ao fecho de postigos com grades.
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A minha prece tece-se de todos os eus que transporto, fontes e desertos, ou apenas brando sonho do melhor de mim que sem tempo viria a ser...
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11.3.09

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Sofro as palavras que despeço sem aviso, que solto sem gesto de amparo, que lanço sem cuidar de almofadas anti- choque.
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Sofro as palavras que não conhecem a profundeza do ninho que sonharam antes de ser, porque eu não permiti que elas tivessem tempo de vir de tão longe...e vão enganadas no caminho, sempre, porque sem a rota que vem ensinada desde o coração, elas não têm força, será em vão a sua porfia.
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Sofro as palavras que não aprendi na melodia das vozes que gostaria de ter sabido que existia, antes de ter perdido lugar onde as recolher e embalar. Iriam crescer e dar sombra e longas respirações de paz e contentamento.
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Sofro as palavras que nasceram com freio e que de tão lentas não chegam por vezes a tempo de se cumprirem; estancam-se na mordedura dos lábios que não souberam desenhá-las em cores de finalidade.
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Sofro as palavras que sonhei existirem mas não tiveram abrigo no meu mundo de sentimentos guardados em espera de senhas indecifráveis...até se transformarem em palavras de outras bocas, sem tom nem coração.
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Sofro as palavras que não conseguem desafiar as barreiras de compreensões, bandeiras contaminadas por desejos de corações alheios aos sonhos do meu.
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Sofro as palavras cansadas de recantos fechados, em risco de se engasgarem ou sufocarem de silêncios impostos por regras seculares.
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Sofro as palavras que saltam falésias e precipícios sem rebates de pudores e viajam à frente de mim própria, atravessando escuridão e silêncios.
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Sofro, cansada, as palavras agrilhoadas a esta linguagem de atrasos, meros vermes na berma de crisálida das formas aladas que as virão substituir...para que eu não sofra as palavras que não conseguem ser pontes.
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25.2.09




Fui beber azuis e verdes, encher os olhos daquela cor-de-águas que me completa nos tempos nem-com-nem-sem-alegrias, e que concentra um pouco desse segredo insuperável que me traz acima das pedras de qualquer caminho, quando a verdade inunda todo o espaço e desfaz qualquer conceito de existência de ilhas.

Não fiquei defraudada: de espelhos a sombras a jades a jardins, a todas as fantasias que a ausência dele me permite, também em presença eu tive: o mar era a cor, e estava ali, e era quase igual ao dos sonhos, das fotos de colecção, de , eu sei lá!...

Mas raro foi o momento em que em verde transparente se ergueu, cristalizado, quase suspenso no tempo e entre as paredes de ar e luz; na verdade, o mar estava a modos que quase domado.

Apurei o ouvido, quase estendi a orelha no sentido da última onda que pudesse vir do horizonte. Em vão esperei ouvir a vaga mais distante que por norma venho escutar, com todo o assombro dos conselhos, prenúncios ou sortilégios que consigo dela obter.

Na realidade, o que escutei foi o rumor da fervura das línguas de ondículas sobre a areia da praia: mas não vinha de longe, apenas ao longo…

Pois, o mar estava mesmo a desistir-se; talvez apenas a entrar naquele ponto morto sem maré vai nem maré vem; ou então, muito simplesmente, estava a tentar ouvir o silêncio, forçado que foi a conviver com assédios e enchentes, marés-cheias de gentes por estes dias de sol e de folias _ e de que o inverno o desabituara…

Não importa; foi então como um pecadilho, assim, saboroso: o mar foi um pouco _ mais _ meu, como eu, e comigo.


2.2.09

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Chego e espero.
Aguardo que venham. Eu convoquei-as, inocentes do peso que lhes destino. Não é tão grave que lhes atribua uma missão, longe disso; ao fim e ao cabo, trata-se apenas de mim, não há que dramatizar…
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Acontece-me cada vez mais frequentemente, esta noção da auto-desistência a meu favor _ sei que parece que brinco... mas é apenas artimanha, daqueles pequenos truques que me ritualizam o amanhecer dos dias, não vá algum pedaço mais inóspito do terreno das horas abrir-se em abismo por esconjurar.
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E agora que tenho dados suficientes para converter essa apenas suspeita em generalidade garantificada pela frequência (sei, é apenas empirismo, mas o que se há-de fazer…) posso tornar essa quase certeza numa força de afoiteza, pois cada vez me sinto mais próxima da desistência da culpa como matéria-prima de tantos dos meus actos e opções (será que posso chamar-lhes desactos, desistidos que são eles também de qualquer apreço por desforras?)
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É a mim que procuro ouvir, na leitura das palavras que deixo pingar sobre o faz-de-conta-que-é-papel, que me apressei a colorir de preto e onde busco que as letras surjam em tom de luz. Também foi há não demasiado tempo que aprendi que muitas vezes algumas bocas não fazem mais do que deixar sair as palavras que cada um deveria estar a ouvir, em vez de… atirar. Será o inconsciente de alguns mais consciente do que a sua consciência?? Pano para mangas… mas os meus braços são pequenos. Adiante…
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Pois este efeito aparentemente narcisista que as palavras também possuem de se lançarem em mal disfarçados jogos em torno de espelhos poderá agora servir-me _ elas já cumprem tantas tarefas, porque não serem a voz que não consigo fazer sentar-se nem no ombro nem junto ao pavilhão auditivo, pese embora serem esses lugares de profunda sensibilidade, talvez com mais propriedade, vulnerabilidade, quando se trata de terem de lidar com proximidades de indesejados ruídos ou agitação.
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E não sou muito exegeta no que toca ao nível de língua, ortografia pré ou pós-acordo; basta-me que se façam cúmplices botões, singela companhia, e se deixem escutarem-me…
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19.1.09

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Sei que há quem não entenda: não explico, não me detenho sobre o assunto, também não lhe fujo; apenas digo, se tem de ser, em tom mais para o indiferente _para se saber que não é assunto que me interesse aprofundar: eu praticamente (já) não choro.
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Por sentir ser um momento de reafirmar-me, e para me garantir de que não há fuga inconsciente ou qualquer sopro de culpa por não ser verdadeira, em mim te chamo e assim registo:
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Lágrimas _ para quê?
A ti tenho, para me lavares os olhos, purificares os pulmões da alma, transmutares revoltas ou mágoas...
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Até para seres meu sal e temperares meus parcos _mas incontornáveis _momentos de terra te tenho, cúmplice complemento, e matriz: o hiper-eu do outro lado do espelho espelha-se certamente no avesso de ti _talvez minha primeira face.
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16.11.08

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ainda não é o momento de sentir que a porta está à vista.
ainda há algo a reter-me, que me enleia as pernas no caminho que não se divisa, um piso feito de fé e da esperança de não falharem estas duas fieis mas indistintas assistentes _ e nunca nada tão sólido quanto elas soube eu escolher por companhia...
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estranhamente, há um palpitar de antecipação que me traz apenas um pouco menos que confusa, talvez apenas mais disponível para ouvir o distante fantasma de um som de trombeta e de alerta por entre o silêncio escasso que se atreve a desrespeitar a quase contínua lei de ruídos e sinais de contradição que me têm cercado os dias
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aliás, nada mais poderá explicar as já quase consentidas náuseas a que o conflito entre tantos e tão díspares sinais me vota
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não há jejum, dieta ou fina iguaria que me distraia da indigestão que reina às portas da minha casca de pessoa em vertigem e torvelinho de excesso de oxímoros: que digestão poderia ser levada a bom fim em tais condições?
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mas o voo sempre foi capaz de se imiscuir em qualquer pequeno espaço de silêncio e de desaperto do coração em busca de maiores causas _ ou da mais pequena forma de beleza que o suscitasse...
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e a beleza existe nos olhos de quem olha, no coração, até de quem nem a espera; ela me enleva _ mas, sobretudo, ela me eleva
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e vai de continuar a porfia de não desistir de mim, de sonhar por que o sonho me sonhe... que de vida é quanto sou.
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13.9.08

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Doce, doce é a luz que te acode, abraço anti-dor de um despertar tardo, suave o afago, é regaço, sorriso e paz …

Doce, doce é o olhar do mar, sedução ou calma, desafio estático ao longo dos nortes … magia tão forte salva qualquer medo de te perderes a sul …

Doce, doce é a leve mola de música em fonte, feitiço que irrompe do centro do corpo, eco e arrepio, vida e sabor de dentro afora entre chão e nuvem … e o mundo é teu …

Doce, doce é a palavra amiga, barreira sentida contra qualquer mágoa por aí perdida ou o gosto amargo de um tempo ilhéu ... e te traz à vida, mais forte, tão frágil _ nada importa mais!
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1.9.08

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A espera atenta ao meu sossego.
Mais, ela é um atraso no meu estar, repuxa-me ao revés de qualquer estado, estica a minha capacidade de negar ênfase e importância à expectativa _ ela desmerece-me, perante mim própria.

Já o suspeitava: ela é um dos rigorosos observadores, ou até mesmo O avaliador-mor que antevejo de cada vez que me proponho um novo plano de incursão em novos territórios de auto-consciência ou, simplesmente, uma operação de… beneficiação.

Todas as aprendizagens de técnicas mais ou menos elaboradas, todos os saberes a que renego influência externa se conjugam, apenas para me deixar ficar mal _ porque na espera, vergonhosamente, eu… desespero.

O único modo de escamotear essa sensação de derrota em pleno fogo da inacção é disfarçar, numa aparente calma, tão profundamente bovina, que não consigo deixar de me sentir humilhada pela aproximação a que a mente me traz.

Sou, inclusive, capaz de inventar afazeres para entretecer neles as impaciências imperdoáveis, para os tais momentos de esticanço daquela bolha de tempo que não tem então direcção nem percurso habitáveis; claro que as verdadeiras ocupações a aguardar resposta continuam a chamar-me sem chegar a ouvidos disponíveis: a e.s.pe.r.a ocupa todos os verdadeiros sentidos… que dela deveriam ter permanecido ausentes.

A pose zen é, continua a ser uma aparência de aproximação à utopia _ tal como a meditação zazen continua a soar a não mais do que isso (ah, que terrível discípulo de técnicas rigorosas que eu sou!; pior, adoro contornar os aspectos bicudos e os ângulos agudos dessa _ e algumas outras questões _ conferindo-lhes índoles que me aprazem mais como efeito). Assim teimo em denominar, em aproximação a uma postura zen, algo que considero desprovido de regras rígidas e claras _ à luz do senso-comum, embora contendo um não-sei-o-quê de ordem natural na sua essência...

E deste modo ou daquele eu, então e também, acabo sempre por lá chegar… mas continuo a debater-me neste problema exemplar ainda agora presente: a espera atenta ao meu sossego…
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27.8.08

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Saudades…
Saudades, sim. Deste, daquele, daquela, daquilo, de então…ah, mas sobretudo, de m.i.m! Ou melhor: de mim então!
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E é isso que na realidade leva (quase) toda a gente a confundir-se e atolar-se num chamado e supostamente doce sentimento de nostalgia, de perda, que não é mais do que uma hedonista e egoísta sensação, quase tão vã e perniciosa, na sua ignorância e inconsciência, como a inveja, aquele monstrinho verde que morde as entranhas de quem não quer admitir-se presa de uma forte admiração por outrém…no seu negativo.( E Deus me livre de ser assim “admirada”! ) . Mas não vamos por aí, que é longo e perdido esse atalho.
E então vou tentar explicar um pouco melhor, talvez mais caridosamente, o ponto de vista que aqui defendo. E porquê? Simples: porque sofro quando vejo sofrimento que considero desnecessário _ na maior parte dos casos, claro _ na forma de lidar com o "passado".
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É certo também que reconheço ser um acto de rebeldia a minha rejeição do uso comum dessa palavra tão acarinhada como símbolo emblemático da “nossa” cultura. Eu também concordo que é bonita: ondula emoções esquivas pela sibilante adiante, presta-se a ser saboreada…E eu digo isto porque gosto de poesia e, precisamente, saboreio os aspectos físicos e musicais que algumas palavras se prestam, plasticamente, a arvorar. Mas causa-me uma certa impaciência o tom auto-mortificante com que as pessoas se agarram, pior, se colam a factos passados, incluindo, nesses flashes de inexistências intransigentes, a presença de outros, quando se deviam concentrar na própria consciência das sensações que esses instantâneos _ por vezes autênticas reconstruções de verdades que vão mudando de perspectiva consoante as luzes de enfoque..._ lhes provocam.
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Assim, alguns ajoujam-se sob o fardo de autênticos "cadáveres" de memórias a que se agrilhoam e que lhes tolhem o passo em direcção à vida, e que nem sequer são, geralmente, as memórias queridas que gostariam de ver permanecer... mas que não deixam ficar...
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E então há os que simplesmente recusam a si próprios e às então queridas memórias a oportunidade de terem um futuro, fazendo-as "presente"! E esquecem-se de olhar em frente, sempre virados para "trás", mergulhados em sombra _ por culpa das tais "saudades"...
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Na realidade, o que sentem é a falta de como se sentiam … ou os faziam sentirem-se, em determinada altura da sua vida. Simplesmente isso. E sofrem, com o que dão por final, se não finado.
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Mas a memória é isso: algo que permanece… uma verdadeira prenda , sempre à disposição de ser recriada... E poderiam então verificar que o que davam como passado e acabado, se encontra nesse i.n.s.t.a.n.t.e com elas, na sua p.r.e.s.e.n.ç.a, e talvez acordassem para o significado real que as palavras teimam _ às vezes sem resultado, e sem culpa própria _ transportar, se nelas atentarmos verdadeiramente, se usarmos a própria reflexão, abdicando um pouco mais do seu uso leviano e de frases feitas, que acabam por entregar vazios, perdendo-se nestas trocas entre bocas e corações e mentes, sem serem pontes de s.e.n.t.i.d.o.s entre as pessoas…

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