13.9.08

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Doce, doce é a luz que te acode, abraço anti-dor de um despertar tardo, suave o afago, é regaço, sorriso e paz …

Doce, doce é o olhar do mar, sedução ou calma, desafio estático ao longo dos nortes … magia tão forte salva qualquer medo de te perderes a sul …

Doce, doce é a leve mola de música em fonte, feitiço que irrompe do centro do corpo, eco e arrepio, vida e sabor de dentro afora entre chão e nuvem … e o mundo é teu …

Doce, doce é a palavra amiga, barreira sentida contra qualquer mágoa por aí perdida ou o gosto amargo de um tempo ilhéu ... e te traz à vida, mais forte, tão frágil _ nada importa mais!
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1.9.08

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A espera atenta ao meu sossego.
Mais, ela é um atraso no meu estar, repuxa-me ao revés de qualquer estado, estica a minha capacidade de negar ênfase e importância à expectativa _ ela desmerece-me, perante mim própria.

Já o suspeitava: ela é um dos rigorosos observadores, ou até mesmo O avaliador-mor que antevejo de cada vez que me proponho um novo plano de incursão em novos territórios de auto-consciência ou, simplesmente, uma operação de… beneficiação.

Todas as aprendizagens de técnicas mais ou menos elaboradas, todos os saberes a que renego influência externa se conjugam, apenas para me deixar ficar mal _ porque na espera, vergonhosamente, eu… desespero.

O único modo de escamotear essa sensação de derrota em pleno fogo da inacção é disfarçar, numa aparente calma, tão profundamente bovina, que não consigo deixar de me sentir humilhada pela aproximação a que a mente me traz.

Sou, inclusive, capaz de inventar afazeres para entretecer neles as impaciências imperdoáveis, para os tais momentos de esticanço daquela bolha de tempo que não tem então direcção nem percurso habitáveis; claro que as verdadeiras ocupações a aguardar resposta continuam a chamar-me sem chegar a ouvidos disponíveis: a e.s.pe.r.a ocupa todos os verdadeiros sentidos… que dela deveriam ter permanecido ausentes.

A pose zen é, continua a ser uma aparência de aproximação à utopia _ tal como a meditação zazen continua a soar a não mais do que isso (ah, que terrível discípulo de técnicas rigorosas que eu sou!; pior, adoro contornar os aspectos bicudos e os ângulos agudos dessa _ e algumas outras questões _ conferindo-lhes índoles que me aprazem mais como efeito). Assim teimo em denominar, em aproximação a uma postura zen, algo que considero desprovido de regras rígidas e claras _ à luz do senso-comum, embora contendo um não-sei-o-quê de ordem natural na sua essência...

E deste modo ou daquele eu, então e também, acabo sempre por lá chegar… mas continuo a debater-me neste problema exemplar ainda agora presente: a espera atenta ao meu sossego…
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