Fui beber azuis e verdes, encher os olhos daquela cor-de-águas que me completa nos tempos nem-com-nem-sem-alegrias, e que concentra um pouco desse segredo insuperável que me traz acima das pedras de qualquer caminho, quando a verdade inunda todo o espaço e desfaz qualquer conceito de existência de ilhas.
Não fiquei defraudada: de espelhos a sombras a jades a jardins, a todas as fantasias que a ausência dele me permite, também em presença eu tive: o mar era a cor, e estava ali, e era quase igual ao dos sonhos, das fotos de colecção, de , eu sei lá!...
Mas raro foi o momento em que em verde transparente se ergueu, cristalizado, quase suspenso no tempo e entre as paredes de ar e luz; na verdade, o mar estava a modos que quase domado.
Apurei o ouvido, quase estendi a orelha no sentido da última onda que pudesse vir do horizonte. Em vão esperei ouvir a vaga mais distante que por norma venho escutar, com todo o assombro dos conselhos, prenúncios ou sortilégios que consigo dela obter.
Na realidade, o que escutei foi o rumor da fervura das línguas de ondículas sobre a areia da praia: mas não vinha de longe, apenas ao longo…
Pois, o mar estava mesmo a desistir-se; talvez apenas a entrar naquele ponto morto sem maré vai nem maré vem; ou então, muito simplesmente, estava a tentar ouvir o silêncio, forçado que foi a conviver com assédios e enchentes, marés-cheias de gentes por estes dias de sol e de folias _ e de que o inverno o desabituara…
Não importa; foi então como um pecadilho, assim, saboroso: o mar foi um pouco _ mais _ meu, como eu, e comigo.