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Sofro as palavras que despeço sem aviso, que solto sem gesto de amparo, que lanço sem cuidar de almofadas anti- choque.
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Sofro as palavras que não conhecem a profundeza do ninho que sonharam antes de ser, porque eu não permiti que elas tivessem tempo de vir de tão longe...e vão enganadas no caminho, sempre, porque sem a rota que vem ensinada desde o coração, elas não têm força, será em vão a sua porfia.
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Sofro as palavras que não aprendi na melodia das vozes que gostaria de ter sabido que existia, antes de ter perdido lugar onde as recolher e embalar. Iriam crescer e dar sombra e longas respirações de paz e contentamento.
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Sofro as palavras que nasceram com freio e que de tão lentas não chegam por vezes a tempo de se cumprirem; estancam-se na mordedura dos lábios que não souberam desenhá-las em cores de finalidade.
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Sofro as palavras que sonhei existirem mas não tiveram abrigo no meu mundo de sentimentos guardados em espera de senhas indecifráveis...até se transformarem em palavras de outras bocas, sem tom nem coração.
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Sofro as palavras que não conseguem desafiar as barreiras de compreensões, bandeiras contaminadas por desejos de corações alheios aos sonhos do meu.
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Sofro as palavras cansadas de recantos fechados, em risco de se engasgarem ou sufocarem de silêncios impostos por regras seculares.
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Sofro as palavras que saltam falésias e precipícios sem rebates de pudores e viajam à frente de mim própria, atravessando escuridão e silêncios.
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Sofro, cansada, as palavras agrilhoadas a esta linguagem de atrasos, meros vermes na berma de crisálida das formas aladas que as virão substituir...para que eu não sofra as palavras que não conseguem ser pontes.
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