.
.
ainda não é o momento de sentir que a porta está à vista.
ainda há algo a reter-me, que me enleia as pernas no caminho que não se divisa, um piso feito de fé e da esperança de não falharem estas duas fieis mas indistintas assistentes _ e nunca nada tão sólido quanto elas soube eu escolher por companhia...
.
estranhamente, há um palpitar de antecipação que me traz apenas um pouco menos que confusa, talvez apenas mais disponível para ouvir o distante fantasma de um som de trombeta e de alerta por entre o silêncio escasso que se atreve a desrespeitar a quase contínua lei de ruídos e sinais de contradição que me têm cercado os dias
.
aliás, nada mais poderá explicar as já quase consentidas náuseas a que o conflito entre tantos e tão díspares sinais me vota
.
não há jejum, dieta ou fina iguaria que me distraia da indigestão que reina às portas da minha casca de pessoa em vertigem e torvelinho de excesso de oxímoros: que digestão poderia ser levada a bom fim em tais condições?
.
mas o voo sempre foi capaz de se imiscuir em qualquer pequeno espaço de silêncio e de desaperto do coração em busca de maiores causas _ ou da mais pequena forma de beleza que o suscitasse...
.
e a beleza existe nos olhos de quem olha, no coração, até de quem nem a espera; ela me enleva _ mas, sobretudo, ela me eleva
.
e vai de continuar a porfia de não desistir de mim, de sonhar por que o sonho me sonhe... que de vida é quanto sou.
.
.